INCT Biodiversidade do Solo participa do 8° Encontro de Inovação e Tecnologia para a Cafeicultura do Cerrado Mineiro em maio de 2026
O INCT Biodiversidade do Solo participou do 8° Encontro de Inovação e Tecnologia para a Cafeicultura do Cerrado Mineiro, realizado no dia 7 de maio de 2026. Nosso INCT foi representado pelos professores Teotonio Soares Carvalho da UFLA e Gladyston Rofrigues Carvalho e Vinícius Teixeira Andrade da EPAMIG. O evento foi Organizado pela Fundação de Desenvolvimento do Cerrado Mineiro (Fundaccer) em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e outras instituições, incluindo o CNPq e Fapemig, o evento ocorreu no Centro de Excelência do Café da Epamig, em Patrocínio, reunindo cafeicultores e extensionistas do setor.
Na ocasião, uma das estações ministrado pelo prof. Teotonio foi dedicada à atuação da biodiversidade do solo na cafeicultura. O espaço promoveu o debate sobre processos biológicos que conferem maior eficiência e sustentabilidade à produção agrícola, além de estratégias de manejo voltadas à otimização da participação da biota edáfica na cafeicultura. Os produtores presentes compartilharam experiências práticas sobre os benefícios da utilização de plantas de cobertura nas entrelinhas, aplicação de bioinsumos e uso de compostos orgânicos, entre outras técnicas. Paralelamente, foram discutidos os mecanismos científicos subjacentes a esses benefícios, como o efeito rizosfera, o aumento da biomassa e da atividade microbiana, o papel dos fungos micorrízicos, a agregação do solo e o controle biológico, sob uma perspectiva do solo enquanto ecossistema. Outro ponto de destaque foi a discussão sobre o potencial do uso de leguminosas inoculadas com rizóbios como estratégia para reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados sintéticos na cafeicultura. As abordagens foram fundamentadas na expertise do nosso grupo de pesquisa e nos resultados de pesquisa obtidos pelo INCT Biodiversidade do Solo em Patrocínio e em outras regiões cafeeiras de Minas Gerais.
Nas outras duas estações no evento Em Patrocínio/MG – A EPAMIG mostrou em 2026 dois caminhos para o futuro do café arábica no Cerrado Mineiro
Cultivares já no campo: dados para decidir agora (Apresentação prof. Gladyston)
No dia de campo, a EPAMIG apresentou resultados de 7 safras de cultivares da EPAMIG plantadas no Campo Experimental da EPAMIG em Patrocínio. Também foi apresentado resultados do biênio 24/25 em 29 ambientes de Minas Gerais de 16 cultivares de todas as instituições brasileiras que trabalham com melhoramento genético do café arábica. A cultivar Obatã Amarelo IAC 4739 tem se destacado para produtividade, com média de 36 sacas/ha, enquanto a cultivar Catuaí Amarelo IAC 62 (cultivar mais antiga e testemunha dos experimentos) produziu 22 sacas/ha no mesmo período. Para qualidade de bebida, o grande destaque foi a MGS Turmalina, com média de 86 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA). Contudo, os pesquisadores salientam que, devido à grande interação genótipos por ambientes, deve-se selecionar cultivares utilizando principalmente dados edafoclimáticos locais e manejo da fazenda.
Híbridos F1: uso da heterose a favor do produtor (Apresentação prof. Vinícius)
O projeto, que iniciou com cruzamentos em 2017 já tem mais de 300 híbridos em campo. Do total de 3.114 plantas testadas, 18 plantas que apresentaram alta produtividade, resistência à ferrugem e nematoides, e qualidade de bebida foram selecionadas para serem clonadas e testadas em pelo menos 20 locais em todo o estado de Minas Gerais. Essa estratégia tem como vantagem a aceleração do programa de melhoramento (cultivares híbridas clonais ficam prontas em 8 a 10 anos, enquanto o processo de melhoramento convencional demanda 25 a 30 anos para obter novas cultivares). Além disso, estão sendo testados híbridos F2, propagados por semente, que apresentaram resultados promissores de produtividade e resistência à ferrugem e aos nematoides. Essa é a aposta da EPAMIG e EMBRAPA Café para que a tecnologia chegue mais rápido ao produtor.
Este intercâmbio de saberes é fundamental não apenas para a difusão de tecnologias e do conhecimento científico, mas também para a contextualização e o direcionamento da pesquisa acadêmica com base nos desafios e na experiência prática dos cafeicultores.